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NÃO SE MEXE EM TIME QUE ESTÁ GANHANDO

Ou como a Marvel destruiu os próprios personagens.

Desde sempre tenho ouvido um ditado que pode ter surgido no futebol, mas em geral é associado a várias situações encontradas na vida, principalmente no trabalho: não se mexe em time que está ganhando. Ou seja, se algo está dando certo, a lógica geral é continuar fazendo isso, diriam muitos palestrantes sobre gerenciamento ou psicologia de trabalho.
A frase me vem à mente quando penso na polêmica nerd da semana: de que a causa da queda de vendas dos quadrinhos da Marvel foi por conta da editora apostar na modificação dos seus personagens os trocando por minorias. Na verdade, essa “constatação” foi apenas uma de várias das causas apontadas por lojistas das maiores revendedoras norte-americanas de quadrinhos em reunião com a própria editora no último fim de semana. Eles apontaram outros fatores também: histórias ruins; mega-sagas e eventos intermináveis; autores de pouco prestígio; preço mais caro que os da concorrência.
Mas vivendo num mundo onde o que importa é o clickbait, a imprensa em geral, principalmente que não quer saber do mundo geek, como a UOL, pra citar um exemplo, foi naquilo que sabia que ia dar polêmica: uma declaração infeliz do vice-presidente de vendas da Marvel que os leitores eram conservadores e não estão aceitando os gibis estrelados por minorias.
Pronto. Nesse assustador mundo bipolarizado pré-segunda guerra mundial que voltamos a viver, onde você é anjo ou demônio, a conclusão que se chega é que ou a culpa é dos autores e leitores “SJWs” que empurraram uma suposta “agenda” política que arruinaram os quadrinhos da Marvel, ou dos leitores conservadores machistas fascistas que não aceitam diversidade nos seus quadrinhos. Ambas as afirmações são falsas e reducionistas, frutos desses tempos extremistas que vivemos.
Em primeiro lugar, é preciso deixar claro um ponto: o leitor em geral é conservador sim, mas não no sentido “político” que se pensa. Por “conservador” se entende alguém que prefere “as coisas como estão”. Ora, é nesse sentido que falei do “time que está ganhando não se mexe”. Será que a Marvel necessitava mesmo de mudanças tão drásticas como as que foram feitas e levaram a essa rejeição dos leitores diminuindo suas vendas? Vamos analisar friamente (e logicamente) a situação.
Super-Heróis são, como várias outras figuras ficcionais da literatura e do cinema, mitos modernos. Como muito bem analisou o filósofo Joseph Campbell em seus hoje famosos livros (O Herói de Mil Faces, A jornada do Herói, O Poder do Mito) esses mitos desempenham hoje na vida moderna o mesmo papel que as lendas de outrora sobre heróis greco-romanos na antiguidade, contos de cavalaria na idade média, e contos de fada até poucas décadas atrás: Eles simbolizam rituais de passagem que o próprio ser humano vive, e assim esses personagens tanto inspiram quanto servem de identificação para as pessoas encararem seus dilemas ao longo da vida. Por isso o ser humano tem tanta necessidade de ficção, desde que começou a contar histórias, antes mesmo de existir palavra escrita, para se entreter. Toda nossa indústria cultural nada mais é que apenas a evolução das mesmas lendas e contos de remota antiguidade.
Não se tem uma fórmula exata do que faz um personagem ficcional se tornar um mito e assim ganhar sucesso duradouro, ou de bastante tempo, entre as pessoas. Se houvesse, surgiria um Superman por dia. Mas é possível estudar o que faz os personagens que estão conosco há décadas continuarem tão populares, e conquistarem gerações diferentes de pessoas, apesar das mudanças de pensamento e de costumes. Afinal sabemos exatamente quais personagens estão aí a mais de 100 anos e continuam “arrebentando”, como Sherlock Holmes pra citar algum.
Ora, o Sherlock da série da BBC pode viver no século XXI, mas qualquer leitor das obras originais vai reconhecer ali o mesmo velho Sherlock Holmes: um detetive de intelecto elevadíssimo cuja frieza emocional o leva a ter poucos amigos, e nem se importar em tê-los. Um misantropo de carteirinha, que no entanto, devido a necessidade patológica de colocar suas habilidades racionais em prática precisa justamente ajudar pessoas, mesmo não se importando com elas, pois senão chegaria ao ponto de usar até drogas para aliviar o seu tédio. Esse é o Sherlock Holmes, mais de 100 depois, exatamente o mesmo.
Podemos citar exemplos mais novos, que também estão há várias décadas entre nós sendo os mesmos, como James Bond por exemplo. Ou os tripulantes da Enterprise. Você pode mudar os atores, mas os personagens basicamente são os mesmos. Assim como numa hq ao longo das décadas mudam os desenhistas e escritores.
Há quantos tempo existe quadrinhos de super-heróis? Há pelo menos 79 anos, desde que o Superman foi criado. E ele é Kal-El, o último filho de Krypton, disfarçado como o repórter Clark Kent do Planeta Diário. Todo mundo conhece o Superman, mesmo quem nunca leu um gibi. No entanto, seria correto dizer que nenhum super-herói vendeu mais nesses 79 anos do gênero quanto o Batman, um personagem um ano mais novo. E o Batman está conosco há quase 8 décadas sendo o milionário Bruce Wayne que viu os pais serem assassinados na sua frente, e se tornou um vigilante fantasiado de morcego para combater a epidemia de crime que assola sua cidade.
Poderíamos aqui citar uma lista bastante grande de personagens que estão conosco há décadas, e que as pessoas reconhecem sejam dos quadrinhos, filmes ou televisão: Mulher-Maravilha, Capitão América, Aquaman, Homem-Aranha, Hulk, Flash, X-Men, etc. Todos eles são mitos modernos, parte de verdadeiras mitologias, com todo um universo construído em volta deles.
Batman não é apenas Bruce Wayne: ele é Gotham City, o Coringa, o Comissário Gordon, o mordomo Alfred, o parceiro Robin, o assassinato de seus pais, tudo isso faz parte da mitologia intrínseca do personagem. Volta e meia, algum movimento editorial tenta mudar um ou mais desses elementos – mas a tendência é sempre tudo voltar ao antigo status quo. Por que? Porque o Status Quo é o que sempre funcionou. Uma personagem não dura quase 80 anos por acaso.
E é isso que parece que o comando editorial da Marvel perdeu de vista: que a IDENTIDADE faz parte do HERÓI. Quando você mexe nas fundações do mito, corre o risco dele ficar irreconhecível, se tornar OUTRA COISA que não aquilo que seu nome sugere. Você ter uma mulher se chamando THOR, não faz dela a Thor, porque ele é o filho de Odin, meio-irmão de Loki, condenado a ser o médico manco Donald Blake pra aprender uma lição de humildade. Quando você passa 50 anos construindo um background, um personagem com que as pessoas ADOTEM, não espere que destruir esse background vá manter os fãs por perto. Que parte do Tony Stark dizer em todos os filmes “EU SOU O HOMEM DE FERRO” os editores não entenderam?
Aí é que entra a discussão do alegado “conservadorismo” dos leitores. Eles o tem sim, mas não por ser contra a etnia ou gênero de quem assume o papel de seu herói. E sim do fato de SEU herói ter sido substituído. Um bom exemplo do verdadeiro problema pode ser encontrado se dermos uma olhadinha no passado: não muitos anos atrás, na década de 90 onde a Marvel inclusive FALIU.
Exatamente, a poderosa Marvel um dia foi a falência, e foi nessa ocasião que venderam os direitos de vários heróis para os estúdios que hoje tanto reclamam os fãs, como a Fox que ficou com os X-men e o Quarteto Fantástico ou a Sony que ficou com o Homem-Aranha.
Nos anos 90, pra quem não sabe (aproveitem o testemunho desse “velho” que viveu aquela época) a editora fez exatamente a mesma coisa que vemos hoje em dia: tentou trocar a identidade de vários dos seus heróis tradicionais por personagens “mais antenados aos anseios da nova geração de leitores”. Diga-se de passagem esses personagens via de regra eram homens brancos e heteros. Não havia nada dessa discussão de etnia (nem mesmo no Homem de Ferro onde ele fora substituído pela segunda vez por Jim Rodhes, um personagem afro-americano). Thor foi substituído por um engenheiro chamado Eric Masterson. Homem-Aranha por um clone de si mesmo, Ben Reily. O Quarteto Fantástico e os Vingadores foram mandados pra outra dimensão e ficaram mais jovens, tendo suas histórias recontadas. O Capitão América passou a usar uma armadura, tipo um Homem de Ferro de azul. Matt Murdock se fingiu de morto e mudou de nome, assim como o uniforme do Demolidor mudou de cor. O Wolverine mudou de aparência, perdendo o adamantium e até o nariz!
Diga-se de passagem nenhuma dessas mudanças se ancorava em boas histórias. Pelo contrário, na falta de boas histórias, eles faziam essas mudanças bombásticas pra atrair novos leitores. Pois desde que o Superman “morrera” em 1992 os editores descobriram que eventos bombásticos vendiam mais revistas que boas histórias. E isso fez um enorme mal a indústria dos quadrinhos em si.
Depois de falir, ser comprada por novos donos, que começaram a arrumar a casa, a Marvel voltou ao tradicional, a partir do evento “Heróis Retornam”. A chegada em 2002 de um novo editor-chefe, Joe Quesada, contribuiu pra essa “renascença” da editora. Conseguindo contratar um bom time de autores, ancorado pela popularidade dos filmes que eram boa publicidade para suas revistas, Quesada colocou a Marvel novamente no topo das vendas. Até que…
Até que a nova direção da Marvel esqueceu novamente do passado, pois parece que falta de memória não é só mal de brasileiro. Lá pelo início dessa década, a editora começou a perder seus autores “top”, que vendo as verdinhas que Mark Millar ganhava com as adaptações de suas hqs para o cinema, resolveram todos irem pra Image e tentarem fazer o mesmo. Sem boas histórias, como continuar líder do mercado? Apelando.
E assim como nos anos 90, resolveram mexer justamente no time que ganha de goleada no cinema (mas por alguma razão cabulosa resolveram que não funcionava mais nos quadrinhos). Resolveram que precisavam mudar os heróis para que eles ficassem mais “antenados com uma nova geração de leitores”. O problema é que ao fazer isso simplesmente chutaram as canelas daqueles que lhes pagavam as contas todo mês: os velhos leitores.
É sabido a tremenda dificuldade de renovar o público leitor que os quadrinhos já enfrentam há uns bons 20 anos. Jovens abaixo de 25 anos hoje em dia tem, na sua maioria, aparente repulsa a ler qualquer coisa. Mas a Marvel tinha uma arma poderosa para atrair novos fãs: os filmes blockbusters que são assistidos por milhões de pessoas. Mesmo que apenas 1% desses milhões venham a comprar gibi, só isso já é um publico significativo pro mercado editorial. Além do mais, não é de hoje que as adaptações em outras mídias conquistam novos leitores. Eu mesmo fui atraído para os gibis da Marvel por animações do Homem-Aranha e Quarteto Fantástico. E assim é a história de praticamente todo fã de quadrinhos que conheço: primeiro conheceram esses personagens no cinema, na televisão, nos videogames, e só depois se tornaram ávidos fãs de quadrinhos.
No entanto, o que os “gênios” editorias da Marvel fizeram? Eles resolveram fazer nos quadrinhos personagens completamente DIFERENTES daqueles que o público vê no cinema. Imagine você, um garoto de onze anos sai animado após um filme dos Vingadores, tendo assistido cada filme do universo compartilhado. Você mal pode esperar até o próximo filme, então resolve ler algumas HQs pra aliviar a ansiedade da espera. Mas ao entrar numa loja, já na capa percebe que o Capitão América é o Sam Wilson, o Thor virou mulher, o Homem de Ferro é uma garota negra adolescente, o Hulk é um garoto coreano, o Gavião Arqueiro também é uma garota, assim como a Wolverine também.
“Ah, mas com essa mudança a Marvel pode atrair leitores de outros gêneros e etnias também”, alguns gostam de dizer. Ok, em primeiro lugar, quando foi que faltaram esses personagens na editora? Pelo menos no aspecto étnico, o Pantera Negra foi o primeiro super-herói negro dos quadrinhos, criado em 1966, e Luke Cage o primeiro super-herói negro a ter sua própria revista em 1971. Precisávamos de novos super-heróis negros? Com certeza. Mas eu chamo a atenção pra palavra NOVOS. Não os VELHOS reformulados.
Qual o problema de reformular? Novamente volto a questão do “não sem mexe em time que está ganhando”. Todos os super-heróis que foram reformulados e deram certo são justamente porque suas versões antigas NÃO ESTAVAM FUNCIONANDO. É nesse caso que eles devem ser mudados. Mas quando funciona? Por que mudar? No caso da Marvel, eles simplesmente resolveram mudar por conta da mesma prática dos anos 90: atrair atenção pras suas revistas. Fazer marketing, não necessariamente boas histórias. Em geral funciona num primeiro momento, as primeiras edições vendem muito. Tudo parece muito bem. Mas como há 20 anos atrás, num segundo momento as vendas caem e de repente a editora não tem nem os leitores novos, que já foram procurar outra novidade, nem os velhos que ficaram magoados com a destruição da sua mitologia preferida.
No fim das contas, o problema não é a etnia ou gêneros dos personagens pros leitores “conservadores”. Mas sim que a IDENTIDADE deles foi mudada. Se mexessem na identidade do Pantera Negra esses fãs chiariam da mesma forma. Pois a identidade do herói faz parte do que ele é. Não se pode resumir um herói simplesmente ao seu nome ou seus super-poderes. Não deu certo antes, e nunca dará certo – pelo menos não nos casos que o personagem clássico funciona tão bem que está aí há tantas décadas renovando seu público, justamente porque tem uma mitologia sólida em torno de si.
A Marvel precisava de fato de mais diversidade – principalmente no quesito das mulheres, pois a editora nunca conseguiu ter personagens femininas realmente populares como a Mulher-Maravilha, Supergirl, Arlequina, Mulher-Gato e BatGirl são para a DC. Mas podiam ter usado o exemplo da “Distinta Concorrência” e criado PERSONAGENS NOVOS, sem FERRAR necessariamente com os antigos. Um bom exemplo é que recentemente foi introduzido um novo Lanterna Verde negro e mulçumano e uma lanterna verde mulher e latina. Mas Hal Jordan e John Stewart estão vivos e bem, no seu próprio gibi.
Enquanto a Marvel tornava o Homem de Gelo, um personagem que há 50 anos era um hetero que sempre teve namoradas, num personagem gay, desesperada em conseguir mais representatividade – e conseguindo uma tremenda reação negativa dos fãs por conta disso – a DC ri a toa com a excelente aceitação da BATWOMAN, vencedora de prêmios de entidades GLBTs, assim como a dupla Apolo e Meia-Noite, os primeiros super-heróis a protagonizarem um casamento gay nos quadrinhos.
Enquanto a DC constrói uma nova mitologia em torno da Batwoman, um personagem que não dá mais pra pensar sem ser a Kate Kane, a Marvel simplesmente resolveu destruir a dos seus antigos personagens, querendo surrupiar suas identidades para praticar um pouco de oportunismo demagógico social, como se estivessem preocupados com outra coisa que senão manter – ou aumentar – suas vendas. Afinal quem ousaria ir contra esse tipo de mudança sem querer vestir a carapuça de “conservador, racista, machista, fascista” que determinadas pessoas estão dando aos leitores?
O problema é que esse tipo de estratégia pode funcionar até por algum tempo, mas passada a novidade da mudança, as pessoas começam a prestar atenção no conteúdo. E se o conteúdo não estiver bom, daí meus caros, não adianta dizer que tá cheio de boas intenções, porque hoje a oferta cultural de entretenimento é tão grande, que as pessoas sempre vão procurar qualidade em outra freguesia.
Não é culpa das minorias ou das mulheres a Marvel ter perdido leitores, nem deles serem “reacionários babacas sem empatia”. A culpa é da própria editora, que ao invés de buscar criar novos mitos, preferiu simplesmente dar uma maquiada no produto antigo, como se fosse novo, não servindo assim de utilidade nem aos leitores novos ou antigos. E se a lição extraída disso pela Marvel é simplesmente “não vamos mais falar de política” como disse o novo escritor dos X-men (uma série que SEMPRE foi política) já deu pra ver que a editora realmente não aprendeu nada.
O que torna uma aventura sempre interessante de acompanhar são suas reviravoltas. Mudanças sempre serão necessárias para dar uma sacudida no status quo e reavivar o interesse dos leitores. Mas mudar não é destruir ou desfigurar. Mudar é evoluir. E principalmente, a mudança deve estar fundamentada em bons enredos que expliquem a lógica dessas alterações. Não em simples jogadas de marketing visando chamar a atenção para o que, no fundo, eram histórias ruins.
As minorias podem funcionar, como provam Kamala Khan, a nova Miss Marvel, um personagem original que não destruiu o legado de sua antecessora – que evoluiu e se tornou a Capitã Marvel, Carol Danvers; Ou Miles Morales, um Homem-Aranha (negro) que consegue coexistir com a versão original do herói, Peter Parker. Mas ao invés de tornar o Thor numa mulher, fica a pergunta porque não investiram em tornar VALKIRIA na “mulher-maravilha” da Marvel, ou fazer algo que realmente preste com a Mulher-Aranha? Porque o Falcão não ganhou seu próprio gibi antes de se tornar o novo Capitão América? Por que não trazem de volta o Mestre do Kung Fu? Por que não investem mais no Estrela Polar, que sempre foi gay, e é deixado de lado, apelando pra mudar a orientação sexual dos personagens antigos como o Homem de Gelo? Os leitores não vêem problema na diversidade. Quando falarem que personagens mulheres não vendem quadrinhos, esfreguem as altas vendas da ARLEQUINA na cara deles. O que os leitores vêem problema é em destruir heróis que amam, quando poderiam usar todos esses personagens novos justamente para criar novos mitos, para uma nova audiência, e uma nova geração.
A escolha entre novo leitor ou velho leitor não precisa ser um dilema. Pelo contrário, é plenamente possível agradar a ambos. Basta deixar de ser oportunista e trabalhar duro para construir novas mitologias, ao mesmo tempo em que as antigas continuam agradando a tantos. Se a Marvel continuar a escolher apenas uma parcela do seu público, como aparenta ser a nova direção “mais conservadora” que a editora vai tomar, isso é um desserviço tão grande aos quadrinhos quanto foi limar seus clássicos personagens. A gente quer o Logan, Tony Stark e Bruce Banner de volta sim. Mas uma nova Kamala Khan de vez em quando sempre será bem vinda.

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